OPOSIÇÃO

Manifestantes ocupam dois ministérios na Tailândia

Líderes do Partido Democrático ameaçam avançar se funcionários públicos não pararem de trabalhar

France Press
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25/11/2013 às 15:59.
Atualizado em 27/04/2022 às 17:38

Centenas de manifestantes da oposição, exigindo a renúncia do governo tailandês, entraram nesta segunda-feira (25) nos ministérios das Finanças e das Relações Exteriores, último capítulo de uma das maiores crises políticas do país desde 2010. Os manifestantes ocuparam o complexo do ministério das Finanças. "É a última fase da desobediência civil. Se os funcionários não pararem seu trabalho, amanhã vamos tomar todos os ministérios", declarou Suthep Thaugsuban, um dos líderes do Partido Democrático, principal formação da oposição. Antes de entrar no ministério, Suthep disse que o objetivo é "mostrar que o sistema de Thaksin não tem legitimidade para governar o país", referindo-se ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que, apesar de ter sido exilado, continua a ser um dos protagonistas da política no reino. Sua irmã Yingluck é a atual chefe de Governo. No final da tarde, os manifestantes entraram no ministério das Relações Exteriores, que aparentemente não era guardado pelas forças de ordem. Eles pediram para que os funcionários deixassem o prédio e que não voltassem na terça-feira, segundo o porta-voz do ministério. De acordo com a polícia, mais de 30.000 opositores de Yingluck Shinawatra participaram em passeatas nesta segunda-feira em vários locais, incluindo delegacias de polícia, quartéis do exército e emissoras de televisão. Eles se prepararam para dormir nos ministérios e aos pés do Monumento da Democracia, locla emblemático do movimento, onde barracas foram montadas há dias. A primeira-ministra anunciou no início da noite a extensão de uma lei de segurança especial, que reforça o campo de ação da polícia. Ela pediu para que os tailandeses "não se juntem a essas manifestações ilegais". Aos gritos de "Fora Thaksin, o exército está conosco", alguns manifestantes pediram a intervenção militar em um país que viveu 18 golpes de Estado desde o estabelecimento da monarquia constitucional em 1932. Um deles, em 2006, derrubou Thaksin. Eles entregaram simbolicamente rosas a membros das forças de ordem. Espalhados por toda a capital, os manifestantes agitavam bandeiras da Tailândia. As ruas do centro da cidade, habitualmente engarrafadas, estavam vazias, tirando os manifestantes. E grandes pedaços de madeira bloqueavam o acesso à sede do governo. Os partidários da oposição -- 150.000 a 180.00 segundo as autoridades, muito mais de acordo com os organizadores -- já haviam se reunido no domingo, após semanas de mobilização e passeatas quase diárias. A última grande crise política ocorreu em 2010, quando 100.000 partidários de Thaksin ocuparam o centro de Bangcoc durante dois meses para exigir a saída do governo da época, dirigido pelo chefe do Partido Democrata, Abhisit Vejjajiva, antes de um golpe militar. A crise terminou com um saldo de 90 mortos e 1.900 feridos e expôs as profundas divisões entre as massas rurais e urbanas desfavorecidas do norte, partidárias de Thaksin, e as elites de Bangcoc, que odeiam o ex-primeiro-ministro. A divisão ainda está presente no país, como evidenciado pela mobilização paralela dos partidários de Thaksin, que saíram às ruas no domingo para apoiar o atual governo. Este movimento de oposição é um dos mais importantes a desafiar o governo de Yingluck desde sua chegada ao poder em 2011. "Os manifestantes anti-governo exigem a dissolução total do regime de Thaksin", comentou Thitinan Pongsudhirak, da universidade de Chulalongkorn. "As opções de Yingluck são muito limitadas. Alguma coisa deve mudar esta semana". No entanto, a primeira-ministra descartou a possibilidade de renúncia. Questionada por jornalistas se iria renunciar ou dissolver o Parlamento, respondeu com um lacônico "não".

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