GREENPEACE

Rússia indicia outros ativistas por 'pirataria'

Na Rússia, o crime de pirataria pode ser punido com uma pena de entre 10 e 15 anos de prisão

France Press
correiopontocom@rac.com.br
03/10/2013 às 10:58.
Atualizado em 27/04/2022 às 16:43

A justiça russa indiciou nesta quinta-feira (3) por "pirataria" os 30 ativistas do Greenpeace que participaram de uma ação no Ártico, informou o Comitê de Investigação. "Os trinta suspeitos da investigação sobre o ataque à plataforma Prirazlomnaïa foram indiciados", declarou o comitê em um comunicado. "Os acusados não reconhecem sua culpa e se negam a testemunhar com base nestas acusações", acrescentou. Os membros da tripulação, quatro russos e 26 estrangeiros de 17 países, incluindo a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, estão detidos em Murmansk e proximidades, noroeste da Rússia, desde 19 de setembro, quando um comando da guarda costeira russa abordou o barco 'Arctic Sunrise', que navegava pelo mar de Barents (Ártico russo). Na Rússia, o crime de pirataria pode ser punido com uma pena de entre 10 e 15 anos de prisão. Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace International, denunciou uma decisão "irracional, que pretende intimidar e silenciar" a organização. A detenção de Denis Siniakov, um fotografo free-lance que trabalhava no momento da operação do Greenpeace, provocou comoção na Rússia. A imprensa russa expressou solidariedade com o repórter fotográfico que já trabalhou para a AFP e a Reuters. Segundo a ONG, cerca de 800.000 pessoas, mais de 100 ONGs e personalidades como o ator britânico Ewan MacGregor e o cantor russo Iuri Chevtchuk assinaram um pedido para a libertação dos ativistas. Os advogados dos 30 militantes apresentaram um recurso contra a detenção, indicou um porta-voz do tribunal Leninski de Murmansk. Vários ativistas tentaram escalar uma plataforma petroleira da empresa russa Gazprom para denunciar o risco ecológico da atividade. O Comitê de Investigação russo, responsável pelas investigações criminais, iniciou processos por pirataria. Os militantes negaram as acusações e atribuíram à Rússia uma ação ilegal no barco em águas internacionais. O presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu na semana passada que os militantes não são piratas, mas violaram "as normas da lei internacional". Após as declarações, o comitê de investigação informou que as acusações poderiam ser reduzidas durante a investigação. Contudo, um porta-voz do Kremlin advertiu na quarta-feira à noite que Putin expressou "sua opinião pessoal", mas que ele "não é nem investigador, nem procurador, nem juiz, nem advogado". O governo brasileiro anunciou na terça-feira que instruiu o embaixador do país em Moscou, Fernando Mello Barreto, a assinar uma carta de garantia que "deverá contribuir para o encaminhamento positivo do caso". O ministério das Relações Exteriores informou à AFP que a carta de garantia assegura que Ana Paula Maciel comparecerá a todas as audiências da investigação. De acordo com Alexander Morozov, chefe de redação do site Rousski Journal, "a severidade das acusações está relacionada com o fato do Kremlin estar convencido que, por trás das ações do Greenpeace, se desenvolve um 'complô mundial'". "As autoridades russas acreditam que não se trata de associações civis, e sim de artimanhas da CIA, que é um 'comando'", declarou à AFP. Veja também Brasileira do Greenpeace é indiciada por pirataria Crime pode ser punido com pena entre 10 e 15 anos de prisão, informou a ONG ecológica Ativistas vão ser indiciados por pirataria na quarta Na Rússia, o delito de pirataria pode ser punido com até 15 anos de prisão em regime fechado Greenpeace vai à Justiça contra prisões na Rússia Os 30 membros da tripulação foram colocados sob detenção por um tribunal de Murmansk Tribunal ordena prisão preventiva de cinco ativistas Presos são acusados de pirataria por ação de protesto contra o gigante do gás Gazprom no Ártico Tribunal prolonga detenção de ativista do Greenpeace Justiça prolongou por dois meses a prisão de um dos 30 presos; entre eles, há uma brasileira Ativistas do Greenpeace vão à prisão provisória Entre os ativistas detidos está a bióloga brasileira Ana Paula Maciel que será interrogada pela polícia

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