365 Dias da Mulher

30/03/2022 às 10:39.
Atualizado em 30/03/2022 às 10:42

Mulher em um por do sol (Divulgação)

A globalização e os meios de comunicação fazem que hoje as notícias cheguem com mais rapidez até os lugares mais distantes.

O aborto e a pedofilia, dois desagradáveis fatos que acontecem com frequência em nossos dias nos mais diversos lugares de nosso mundo, são conhecidos rapidamente, espalhados pelos rádios, TV, internet, etc. E é estranho a maneira que a sociedade e as igrejas se colocam na hora de julgar esses dois importantes temas. O aborto ocorre sempre no mundo feminino, a pedofilia ocorre no mundo masculino. O fato de ser homem ou mulher, os agentes realizadores desses atos mudam completamente o julgamento da sociedade e do mundo religioso. O aborto é condenado sumariamente sem parar para ver as situações que fizeram ocorrer, assim a adolescente estuprada e grávida de gêmeos aconselhada e submetida a fazer aborto antes que suas pequenas entranhas sejam arrebentadas, traz rapidamente de toda sociedade a condenação. Tem um bispo que pede a excomunhão dos pais, dos médicos e de todas as pessoas envolvidas.

Outro bispo dessa mesma Igreja tem conhecimento que na sua diocese tem um padre que pratica a pedofilia com crianças que vivem em seu entorno religioso. Ele é doutor em teologia, pessoa conhecida e estimada por todos. O tal bispo não pode expor o dito padre a perder sua boa imagem. Então, em vez de condenar a sua conduta, o muda de diocese ou o manda estudar na Alemanha, conservando a sua boa fama. Dois fatos, um ocorrido no mundo feminino, outro no masculino e a Igreja toma uma atitude diferente na hora do julgamento.

Desde o primeiro capítulo da Bíblia a mulher é culpada dos males que nos afligem. Adão com muita pouca delicadeza com a sua mulher Eva, já se desculpa de sua falta e fala para Deus que foi a companheira que você me deu que me incitou a comer do fruto proibido.

Jesus Cristo quis nos mostrar com seu exemplo que precisamos mudar de atitude, pois Ele acolhe a adúltera, a samaritana, a Madalena. Na sua ressurreição, a primeira pessoa a se manifestar é a uma mulher. Não é a Pedro, nem a João, a quem se manifesta primeiro.

Nós, pessoas religiosas, temos que procurar mudar nossas atitudes ante o mundo feminino - Que Deus Pai e Mãe nos ilumine! 

Jesus Pina Crespo é bacharel em Teologia pela Universidade Pontifícia de Salamanca, Espanha

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