Tragédia no ônibus 444

Autor alega que estava com raiva e, por isso, resolveu esfaquear passageiros

José Santana, à polícia, falou que estava sendo ameaçado no bairro Vila Sonia, onde mora sozinho, porque pessoas da comunidade teriam visto uma criança saindo da casa dele

Ana Cristina Andrade
23/06/2022 às 07:02.
Atualizado em 23/06/2022 às 07:07

À polícia, autor do crime contou, com naturalidade, que mirou na primeira mulher que viu e já desferiu a facada (Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba)

O homem identificado pela polícia como José Antonio Santana, de 52 anos, preso após atacar passageiros num ônibus do transporte coletivo, anteontem à tarde em Piracicaba, quebrou o silêncio e disse ontem, durante sua transferência para a cadeia, que agiu por estar com raiva. 
Nenhuma das três pessoas mortas e as outras três feridas tinham a ver com a ira dele. 

Segundo um policial que conversou com a Gazeta, o homem falou que estava sendo ameaçado no bairro Vila Sonia, onde mora sozinho, porque pessoas da comunidade teriam visto uma criança saindo da casa dele. 

Ele contou que anteontem foi até o centro de Piracicaba, sacou R$ 150,00, passou numa loja onde comprou a faca de açougueiro, foi até um bar, tomou duas doses de conhaque e seguiu para o Terminal Central de Integação (TCI) entrando no ônibus da linha 444 que vai para o bairro Vila Sonia.

Disse aos policiais da escolta que estava com tanta raiva que resolveu usar a faca para golpear os passageiros. Contou, com naturalidade, que mirou na primeira mulher que viu e já desferiu a facada.

Também disse que escolheu dar os golpes no pescoço. Rosilei Ramalho, Adriana Coelho e Valdemar Venâncio não resistiram aso ferimentos e morreram no local.

O assassino foi transferido sozinho, porque os outros presos queriam agredi-lo e, do CDP, poderá ser levado para o presídio de Tremembé (SP), onde ficam pessoas que praticam crimes hediondos.

Sepultamentos

Ontem foram sepultados os corpos das vítimas. No velório de Roseli, que era funcionária do Sindicato dos Metalúrgicos, o clima era de muita comoção.

“É a perda de uma funcionária que estava conosco há 17 anos, jovem, saindo do trabalho e indo para casa descansar. Uma pessoa adorada, sempre feliz, dando risada, de repente entra uma desgraça de uma pessoa que faz isso não só com ela, mas com outras vítimas. Uma pessoa dessa não pode ficar solta”, disse Wagner da Silveira, o Juca, presidente do sindicato.

“Essa vida nossa é uma dificuldade. A gente perde uma companheira, que nos tratava tão bem, e vai fazer muita falta o cafezinho da Rose para a gente. O jeito agora é esperar passar essa dor e rezar muito para que ela encontre o caminho dela”, acrescentou Hugo Liva, tesoureiro.

Sobreviventes

Uma das vítimas que sobreviveu ao ataque, um rapaz de 28 anos, permanecia ontem internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital dos Fornecedores de Cana, em estado grave. Uma mulher, de 60 anos, continua internada mas seu quadro de saúde é estável. A terceira vítima já recebeu alta.

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