Tragédia ambiental

Mortandade de peixes no rio Piracicaba

“É uma judiação, uma barbaridade”, disse o morador ribeirinho João Bonato, 56 anos. Cetesb diz em nota que não foram encontrados vestígios de eventuais fontes poluidora

Ana Cristina Andrade
10/05/2022 às 08:22.
Atualizado em 10/05/2022 às 08:33

“No domingo, o volume foi imenso, tinha tonelada de peixe morto aqui na barranca do rio. É uma judiação, uma barbaridade o que estão fazendo com o nosso rio”, disse João Bonato (Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba)

Um cenário devastador, com uma mortandade incalculável de peixes de diversas espécies, foi encontrado no rio Piracicaba na tarde do último sábado (7) e se estendeu até ontem. Os peixes apareceram mortos na região do Gran Park (perto da Balbo) e ontem já podiam ser vistos, aos montes, nas proximidades do Canal Torto - a aproximadamente 15 Km do primeiro local. 

Ontem de manhã, ainda havia grande quantidade de peixes mortos e outros agozinando. A Gazeta esteve no local, na região de Itaperu, perto de Ártemis, na embarcação de João Bonato, 56, morador ribeirinho. O fotógrafo Mateus Medeiros registrou o amontoado de peixes na beira do rio. Eram dourados, lambaris, canivetes, sagurus, trairas, corvinas, mandis e até cascudos. 

“É uma judiação, uma barbaridade o que estão fazendo com este rio. Nossas autoridades precisam tomar providências. A última mortandade foi dia 4 de setembro de 2019. “No ano passado a água do rio estava maravilhosa. Agora, essa tragédia”, desabafou.

João se emociona cada vez que vê um cardume morto. “Desde criança sempre vivi no rio e pesquei muito no Salto do Piracicaba. Proibiram de pescar lá, parei e vim para cá onde hoje é meu lar”, contou referindo-se ao rancho onde mora.
O ribeirinho disse que dói o coração ao ver a cena, principalmente, porque há peixes que pesam mais de dois quilos. Ele comentou que chegou a chorar. “O rio é o quintal da nossa casa. Um peixe é uma mistura da gente. Vendo tudo isso, imagino quantas pessoas poderiam estar se alimentando com eles", lamentou.

João Bonato lembrou que, certa vez, uma espuma saiu da rede de tratamento do esgoto do Gran Park e que vários peixes morreram. Na época, segundo ele, a Defesa Civil resolveu o problema. 

O operador de máquinas André Luiz dos Santos, que esteve no rio no domingo, disse que chegou pouco depois das 8h. “Estava feio de ver. Dá dó de ver e deve ter sido algum produto que jogaram na água”, acredita.

A quem compete

A Gazeta fez contato com a Polícia Militar Ambiental no sábado, para informar sobre a mortandade, e uma equipe foi ao local no domingo. De acordo com o capitão Helinton Ilges da Silva, que comanda a Base em Piracicaba, não havia como aferir, com exatidão, a relação da casualidade com o eventual cenário recente de poluição. 

Por outro lado, foi enviado documento à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), informando sobre a mortandade.

Cetesb

A Gazeta questionou ontem a Cetesb sobre o motivo da mortandade de peixes e as medidas a serem tomadas.

O órgão fiscalizador informou, por meio do Setor de Imprensa, que técnicos da Agência Ambiental de Piracicaba percorreram domingo (8) e ontem vários bairros da cidade, como o Itaperu, IAA e Grand Park, até a Ponte de Ártemis. 
Informou, ainda, que os técnicos avaliaram o teor de Oxigênio Dissolvido, pH e temperatura, e as medições mostraram boa qualidade da água do rio Piracicaba. 

“Alguns peixes em estado de decomposição foram encontrados, porém não se observam mais espécies morrendo. Durante as vistorias realizadas, não foram detectados vestígios ou indícios de eventuais fontes de poluição. A Cetesb continuará as ações de fiscalização e controle”, diz a nota.

O morador João Bonato, porém, disse à Gazeta, no início da noite, que não viu técnicos da Cetesb navegando no rio Piracicaba. “Não vi eles passando por aqui. O certo seria terem feito o teste da água sábado ou domingo. Agora os peixes já estão de boa”, observou

Em ofício, a Prefeitura de Piracicaba pede que a Cetesb e PM Ambiental investiguem a mortandade de peixes. Obteve a mesma resposta enviada à Gazeta.

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