Dúvidas no ar

Morte de peixes: entidade questiona fiscalização

Associação dos Amigos da Cidadania e do Meio Ambiente de Piracicaba (Amapira) pede investigação para identificar responsável por crime ambiental

Romualdo Cruz Filho
11/05/2022 às 07:34.
Atualizado em 11/05/2022 às 07:37

Rubens Funes, Fernanda Fernandez e Juan Sebastianes questionam eficácia dos órgãos de fiscalização (Mateus Medeiros/Gazeta de Piracicaba)

Integrantes da Associação dos Amigos da Cidadania e do Meio Ambiente de Piracicaba (Amapira) ficaram intrigados com a mortandade de peixes do Rio Piracicaba, ocorrida na segunda-feira (9), conforme divulgada pela Gazeta na edição de ontem.

"Tudo nos leva a crer que tenha havido algum tipo de crime ambiental", observou Juan Sebastianes, integrante da entidade. Ele considera pouco lógico um fato tão destruidor ter causas naturais. 

"Isso nos leva a questionar sobre a eficácia dos órgãos de fiscalização. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), responsável por realizar este trabalho, deveria apurar melhor o ocorrido. No entanto, seus técnicos simplesmente dizem à imprensa que a água do rio estava com qualidade adequada e nada mais. Um absurdo". 

O ambientalista considera uma brincadeira de mau gosto pensar que "aqueles peixes decidiram morrer por conta própria". Para ele, caso não haja empenho para um trabalho mais rigoroso de investigação que aponte para a real causa do crime ambiental por parte da Cetesb, a saída será acionar o Ministério Público (MP). "Há uma necessidade imediata também de se ter um trabalho de investigação mais qualificado, com avaliação em tempo real da qualidade da água do rio, com se faz com o volume de vazão". 

Juan entende que pode ter havido apenas um acidente. "Mesmo assim, os órgãos públicos deveriam ter sido avisados. "A própria empresa, se fosse o caso, deveria ter se manifestado e assumido a responsabilidade pelo ocorrido, para acionar alguma ação preventiva. Mas como não houve qualquer manifestação, a dúvida só aumenta. Nesse caso, identificado o responsável, a multa deveria ser mais rigorosa, para que isso não se repita", analisou.

Juan observa que nas redes sociais as pessoas estão indignadas. "Uma das frases que me chamaram a atenção é se um pescador for pego na beira do rio com alguns peixes para comer, pescados irregularmente, vai preso ou paga multas. Agora, quem faz um estrago como esse, de matar mais de duas toneladas de peixes, sequer é identificado e notificado. Outra frase que ouvi foi: 'A Cetesb defende o meio ambiente ou é apenas um escudo dos poluidores?'".

Fernanda Fernandez, que também integra a Amapira, disse que a mortandade de peixes ocorrida é um impacto que vai exigir anos até que a natureza se recomponha. Ela considera também que a população precisaria estar mais atenta para denunciar. "As denúncias não ocorrem devido à falta de consciência ambiental, que é uma decorrência da precariedade do ensino no país, que relega ao segundo plano questões ambientais. Isso exige um olhar mais cuidadoso para a educação com um todo". 

Outro integrante do grupo, Rubens Funes, recorda que antigamente as usinas sempre tiveram represas de vinhoto muito próximas dos mananciais "e de vez em quando deixavam escapar o restilo, que causavam grandes estragos. Mas hoje em dia não há mais motivo para isso", observou. 

Deputado cobra apuração

O deputado estadual Alex de Madureira (PL) cobrou explicações sobre a mortandade de peixes. A denúncia e pedido de providências ganharam repercussão estadual durante a 34ª Sessão Ordinária da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), realizada na segund-feira.

"Foram encontrados milhares de peixes mortos, de diferentes espécies, em alguns trechos do Rio Piracicaba. Nós comunicamos às autoridades locais sobre o acontecimento e, junto ao grupo SOS Rio Piracicaba, estamos oficiando órgãos responsáveis, como a Cetesb e a Ares PCJ (Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) para encontrarem os responsáveis", afirmou Alex de Madureira.

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